Fluxo de caixa: uma empresa em crescimento não significa uma empresa em enriquecimento

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Misa Antonini

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Cedo ou tarde o empreendedor vai descobrir que crescer uma empresa custa dinheiro e à medida que ela cresce, mais cara se torna. Para manter uma operação saudável, é fundamental ter atenção ao equilíbrio entre o que entra e o que sai da organização e, para isso, cuidar do fluxo de caixa da empresa. Para que haja êxito na saúde da empresa existem ferramentas que, com pequenas aplicações no dia a dia, podem trazer resultados contundentes.

Quando você escala um negócio, você assume novos sistemas e processos que rapidamente corroem suas finanças. O crescimento pode se tornar a ruína da organização, se você não tomar cuidado. Sim, suas receitas podem mostrar um crescimento financeiro saudável, porém, esses números aumentaram porque você assumiu mais despesas. Eles não refletem a realidade financeira do seu negócio. Ou pior, você pode estar com lucro, mês a mês, mas estar com a operação indo à ruína.

Para crescer de forma sustentável, é fundamental que haja planejamento e rastreamento do dinheiro que entra e sai da operação, para assim, garantir que o negócio esteja sendo alimentado pelo dinheiro necessário para o seu crescimento. Quando você e sua equipe aprendem a gostar dos números, o gerenciamento de suas finanças se torna simples e você pode fazer isso através da ferramenta: Power of One.

O Power of One é baseado em um conceito de que mesmo algumas alterações de 1% ou 1 dia em suas operações podem impactar drasticamente seu fluxo de caixa e levá-lo à excelência financeira. Para entender a relevância do conceito, é necessário primeiro entender a importância do fluxo de caixa.

Por que o fluxo de caixa é a medida número 1 de um negócio?

Quando se vai em busca de capital de terceiros, muitos donos de negócios acreditam que terão êxito, pois focam nos lucros do seu negócio para justificar a saúde de seu negócio. Porém, a decepção inicial vem quando existe a percepção de que em muitos momentos a linguagem entre o banco e o dono da empresa não é mesma.

Basicamente, o banco procura um número diferente: o que o banco realmente quer saber é se o negócio tem fluxo de caixa futuro para financiar seus juros e a dívida a vencer. Portanto, este é o principal ponto. É o fluxo de caixa – não receita ou lucro – que é o indicador final de como seu negócio está se saindo financeiramente.

Para compreender como está a saúde situação financeira da sua empresa, Alan Miltz, consultor global de finanças e fundador da Inmatrix, sugere a análise de quatro elementos.

A saúde financeira de um negócio e seus quatro elementos

O resultado do seu negócio é o fluxo de caixa. É o movimento em todas as suas exposições bancárias (seus empréstimos + seu dinheiro no banco).

Os pontos que devem ser analisados são:

Lucro

É a receita final das vendas, já retirados os gastos fixos e variáveis.

Capital de giro

São todas as suas contas a receber somados ao valor que você possui em estoque, menos as contas a pagar e o valor a pagar em impostos e despesas.

Outro capital

São números relacionados à investimento em infraestrutura, como imóveis etc. Caso você não tenha investido nesse tipo de item, não é uma preocupação para você.

Financiamento

Esse é o resultado dos três anteriores. É aqui que você vai entender a necessidade ou não de um dinheiro extra, ou se conseguiu obter êxito no equilíbrio entre o que entra e sai.

Sendo assim, o fluxo de caixa é o resultado do crescimento (elemento 1 – Lucro) e da gestão (elemento 2 – Capital de Giro e elemento 3 – Outro Capital).

Uma compreensão importante é que cada vez que um gestor realiza uma mudança no negócio, o ponto alterado automaticamente irá impactar no caixa e analisar o comportamento do caixa é uma boa forma de analisar se a empresa está tendo boas decisões de gestão.

É através do fluxo de caixa que você vai conseguir mensurar os dados da empresa, se positivos ou negativos em relação à gestão. Ou seja, se as decisões de negócio estão ocorrendo de maneira correta ou se precisa de ajustes no comando.

E é aí que entra a ferramenta Power of One. O objetivo é justamente te ajudar a perceber e interpretar os dados que realmente fazem diferença. É saber sobre a assertividade da gestão ou não da empresa, pois sempre que houver a necessidade de modificar processos, os resultados também serão outros.

Power One: As sete alavancas financeiras para melhorar o fluxo de caixa

Há sete alavancas financeiras para melhorar o fluxo de caixa do negócio. Com elas, uma pequena mudança percentual, pode trazer resultados financeiros significativos para a operação. As sete alavancas que você pode ajustar são:

Preço – verificar se existe a possibilidade de aumento no preço do seu produto;

Volume – perceba se há abertura para ampliar as vendas em volume;

CPV – custo do produto vendido – trabalhar de maneira mais enxuta nos processos da empresa, como diminuir custos na aquisição de matéria-prima ou mesmo em mão de obra;

Despesas operacionais – alterar a operação de venda, diminuindo o ciclo de vendas;

Prazo de recebíveis – buscar reduzir o prazo de recebimento, buscando diminuir o número de dias dados aos clientes para pagamento;

Estoque e trabalho em andamento – trabalhar com estoque menor para que não tenha produto parado;

Prazos para contas a pagar – se você realiza transações com recorrência com o fornecedor e o paga em dia, provavelmente, há espaço para uma negociação, onde você redefina prazos de pagamento com períodos mais extensos entre o consumo/serviço e a transação.

Ao analisar os pontos de oportunidades dentro dessas alavancas e possíveis alterações, basta que se implemente um pequeno ajuste para que ganhos e resultados relevantes sejam conquistados.

Em busca da excelência financeira

É preciso entender que a compreensão dos processos e resultados só sofrerão mudanças com a compreensão e o engajamento da equipe sobre como funciona o fluxo de caixa e como são implementadas melhorias. Para isso, além de atualizar a todos quanto ao Power of One, é interessante definir indicadores e metas trimestrais ou mensais, referentes aos quatro elementos do fluxo de caixa e analisar periodicamente com os gestores, quais das sete alavancas podem ser ajustadas para fortalecer o caixa.

Assim, junto à equipe de gestores, promova uma discussão periódica sobre as oportunidades de melhoria nas alavancas financeiras, definindo um plano de ação.

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